Exercício físico aumenta o apetite? Veja o que é verdade e o que é mito
Publicado: 06/01/2017 09h25

Os efeitos do exercício físico sobre o apetite têm sido um tema de intenso debate ao longo das últimas décadas. O interesse nessa área aumentou desde a virada do século, com a descoberta em 1999 da Grelina, um hormônio composto por 28 aminoácidos, secretado principalmente pelo estômago e que estimula o apetite e a secreção do hormônio do crescimento (GH).


A relação desse sistema com o apetite tem implicações óbvias para o papel do exercício físico na manutenção de um peso saudável e na indução da perda de peso naqueles que estão acima do peso e querem mudar a composição corporal. Infelizmente, há um mal entendido generalizado sobre como o exercício afeta o apetite. Um equívoco é que o exercício aumenta o apetite e a ingestão de alimentos e, assim, mina as tentativas de perder peso. Será mesmo?

Se voltarmos um pouco no tempo, essa visão foi muitas vezes propagada pela imprensa, por exemplo, na revista "Time", de 2009, com título "Por que o exercício não vai fazer você magro". Em contraste com essa visão generalizada de que o exercício aumentaria o apetite, a maioria das pesquisas científicas sugere exatamente o oposto.

Como o exercício físico atua na regulação do apetite?

O "American College of Sports Medicine" destaca que o exercício físico vigoroso suprime transitoriamente o apetite. Subsequentemente o apetite retorna, mas este não é geralmente suficiente para compensar completamente a energia gastada durante o exercício. Ou seja, a supressão do apetite não gera um efeito rebote aumentando a ingesta alimentar.

Isso pode ser demonstrado pelo estudo recente de Alajmi et al publicado no "Medicine & Science in Sports Exercise" (2016), que examinou as respostas do apetite para déficits de energia criados através de dieta ou exercício. Os resultados mostraram que as percepções de apetite aumentam fortemente quando a ingestão de alimentos é reduzida, mas não quando o gasto de energia é aumentado através do exercício. Em conjunto com as percepções do apetite, verificou-se que as concentrações de Grelina foram maiores durante o ensaio de restrição alimentar do que durante o exercício físico. Além disso, o estudo avaliou também outro peptídeo gastrointestinal que suprime o apetite: o PYY. Da mesma forma, as concentrações do PYY permaneceram elevadas ao longo do estudo no grupo dos exercício físicos e estes níveis foram mais baixos durante o estudo no grupo que fez a restrição alimentar. Em conjunto, essas respostas hormonais parecem ser maiores quando há um déficit de energia criado através da restrição alimentar do que através do exercício físico.

Por Guilherme RenkeRio de Janeiro

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